4 posições para amamentar e como ajudar o bebê na pega certa

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Nos primeiros dias do recém-nascido, tudo é uma questão de ajuste, seja da parte da mãe, seja da parte da criança. Conversamos com especialistas e reunimos orientações atualizadas sobre algumas das posições mais fáceis para obter sucesso no aleitamento materno

Amamentar não é automático, nem mágico, como muitas vezes acreditamos antes de ter um bebê nos braços. Mas é possível, já que o corpo da mulher é programado para isso. Se você vai amamentar ou começou agora e ainda tem dúvidas, procurar informações confiáveis é fundamental. CRESCER conversou com duas especialistas no assunto e reuniu dicas precisas e atualizadas sobre posições para amamentar e a pega correta, dois fatores importantes para obter sucesso no aleitamento.

Se você estiver com dificuldade, não deixe passar muito tempo: peça ajuda. Além de bancos de leite e hospitais que receberam o selo de “Hospital Amigo da Criança” (concedido pelo Ministério da Saúde), é possível, no âmbito particular, contar com uma consultora de amamentação, que faz visitas em casa. Em alguns casos, a maternidade em que ocorreu o parto disponibiliza um telefone de SOS. Informe-se também sobre encontros gratuitos de tira-dúvida, como os oferecidos semanalmente pela Casa Curumim, em São Paulo. A ajuda virtual existe e pode ser bem-vinda, desde que você se certifique de buscar fontes confiáveis. Na internet, há grupos de promoção do aleitamento em que as próprias participantes aconselham e fortalecem as mães em dúvida.

“O recém-nascido, ao contrário de um bebê maior, não tem como se movimentar. Se ele quiser ficar dois milímetros mais para lá ou para cá, não consegue fazer isso sozinho”, aponta Nídia de Castro Bastos, pediatra neonatologista da Casa Moara. Parece óbvio, mas ter isso em mente ajuda a entender porque o momento inicial da amamentação é importante: é neste primeiro mês do puerpério que a mãe vai encontrar o acerto ideal entre bebê, mama, aréola, mãos, braços, travesseiros e poltrona (ou cama, ou sofá…). “Acertando a pega, entre 15 dias e um mês, a rotina deve se estabelecer. O bebê vai aprender a sugar e ajustar a intensidade da sucção e a mãe já vai conhecê-lo melhor”, tranquiliza a pediatra.

“A pega e a posição corretas estão diretamente ligadas a um ponto crucial para o sucesso da amamentação: garantir a produção de leite, pois esvaziar a mama corretamente é o sinal de que o corpo precisa para produzir leite para a próxima mamada”, explica Fabiola Cassab, membro do IBFAN (Rede Internacional do Direito de Amamentar – International Baby Food Action Network) e uma das fundadoras do grupo virtual Matrice – Ação de Apoio à Amamentação. Isso quer dizer que é preciso que o bebê mame para que mais leite seja produzido.

Para ter sucesso com a pega

– O bebê deve abocanhar a aréola, e não o mamilo. Isso é importante para evitar machucados.
– O rosto do bebê deve estar virado para a mama, com a boca o mais aberta possível.
– Os lábios dele devem estar virados para fora e o queixo, encostando na mama (isso indica que o bebê está conseguindo movimentar a língua de forma a fazer a extração correta do leite).
– Parece fofo, mas é erro: covinha na bochecha e barulho ao mamar indicam ingestão de ar.
– Um sinal claro de erro: o bebê vai chorar se não estiver bom para ele.
– A dor no mamilo é um sinal de alerta. A sensação de pressão (o recém-nascido suga muito forte) é normal nos primeiros dias. Uma dor que começa a incomodar além da conta indica que a pega precisa de correção (use o dedo mindinho para descolar o cantinho da boca do bebê do mamilo). A mama já está machucada? É sinal de pega errada e não é considerado normal acontecer. Procure ajuda.

Para prestar atenção

– Tenha água por perto, sempre. “Estar hidratada é importantíssimo para a produção de leite”, avisa Fabiola.
– A mão do bebê não pode estar entre a boca e a mama; observe. “O recém-nascido saudável tem uma tendência natural a juntar as mãozinhas na frente do corpo. É preciso abrir os bracinhos dele”, ensina Nídia.
– “Sufocar o bebê é uma fantasia”, afirma a pediatra. “Em nenhuma posição a cabeça do bebê é pressionada contra a mama. Em todo caso, o bebê consegue liberar a narina, tem reflexo para isso”. Se a mãe estiver acordada, um sufocamento não vai acontecer, garante.
– Nunca amamente o bebê enrolado na manta, pois quanto mais pano houver entre o corpo dele e o da mãe, mais longe ele fica dela – e 1 cm faz diferença para a pega. Se estiver frio, posicione o bebê desenrolado e só então coloque a manta em cima dele.
– Lembre-se firmemente de que leite fraco não existe. E avise quem duvidar de você. “Neste momento tão delicado, não se pode diminuir a autoconfiança da mulher”, diz Nídia.

O conforto da mãe

Amamentar em intervalos curtos de tempo, como é comum no início, cansa muito. Se você estiver com a postura torta, sustentando os músculos do braço com o pescoço ou os ombros, vai ser ainda mais cansativo. “A tendência é a de levantar os ombros e isso pode tirar o peito da boca do bebê, ou tirar o bico da posição certa, levando a machucados”, explica Fabiola. Aplique a regra: o bebê deve ir até a mãe, e não o contrário. Travesseiros e almofadas (de amamentação ou não) na altura certa vão dar o apoio necessário para braços e costas quando você estiver sentada. Arrume tudo primeiro e só então comece.

Auxílio é necessário

“Não dá para deixar sozinha uma mãe que acabou de parir. É difícil decifrar um bebê novinho. Além do trabalho físico, a mãe tem um trabalho psíquico que lhe exige muito esforço, de tentar se colocar no lugar do bebê, como se fizesse uma regressão, para saber o que ele sente. Tem de ter alguém olhando essa pessoa, que está de resguardo e precisa de cuidados”, aconselha Nídia. “O ideal é ser alguém com quem ela tenha intimidade. Alguém que leve água, comida, uma mantinha, a raquete para espantar mosquitos; alguém que troque o bebê para que ela durma um pouco. Tudo isso contribui para o sucesso da amamentação”, completa.

Posições para amamentar

Antes de começar a ler, um recado importante: “É preciso ficar claro que estas são sugestões de posições e não uma cartilha. A posição mais legal é: se a mãe e o bebê estão bem, a gente não interfere”, diz a neonatologista.

Posição tradicional (Foto: Thinkstock)

TRADICIONAL
Aquela que você vê em quase 100% das fotos de mulheres amamentando e provavelmente a primeira a ser ensinada à mãe. É possível ficar sentada ou recostada ao amamentar assim.
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O corpo do bebê deve ficar na altura da mama, de frente para a mãe, deitado.
– O umbigo do bebê deve estar encostado no corpo da mãe. “Parece um detalhe sem importância, mas, se não estiver assim, atrapalha muito a mamada”, explica Fabiola.
– O braço de baixo do bebê vai abraçar a mãe.
– A coluna do bebê deve estar alinhada: se o pescoço estiver dobrado/torto, pode saber que ele está desconfortável.
– A cabeça do bebê fica apoiada no antebraço da mãe: confira se a posição do bebê é alterada ao apoiar a cabeça dele mais perto do seu punho ou mais perto do cotovelo. “Noto que o ideal é apoiar até, no máximo, a metade do antebraço (e não perto do cotovelo)”, diz Fabíola.
– As almofadas de amamentação ajudam a alcançar a altura correta, mas é possível fazer uma pilha de travesseiros ou almofadas comuns para elevar o bebê.
– A posição DIAGONAL é uma variação da posição tradicional, mas é ideal para bebês maiores, que, assim, conseguem alcançar a mama: seguindo as mesmas orientações acima, o bumbum do bebê é apoiado na perna da mãe, de modo que ele fica em diagonal em relação ao corpo da mãe.

Posição invertida (Foto: Thinkstock)

INVERTIDA
Boa posição para gemelares, pois é possível amamentar os dois bebês ao mesmo tempo. “A vantagem é para a mãe, que assim pode descansar mais”, diz Nídia.

– Primeiro deve-se montar uma pilha de mantas ou travesseiros (de um lado só, ou dos dois lados no caso de gêmeos), de modo que o bebê alcance a altura do peito da mulher.
– O bebê fica debaixo do braço da mãe e o corpo dele corre pela lateral do tronco.
– A barriga do bebê deve estar voltada para o tronco da mãe.
– O pescoço do bebê deve estar alinhado – se estiver torto, é sinal de que ele está desconfortável.
– Mão e braço da mãe servem de apoio para o bebê.
– Observe se a cadeira comporta essa posição – o bebê precisa de espaço para além das suas costas. O sofá é ideal, assim você tem um encosto confortável.
– No caso de gêmeos, você vai precisar de ajuda com os recém-nascidos. Alguém vai ter que trazer os dois até você e ajudar a ajustar a posição.
– Ainda para gêmeos: um pode estar na invertida e outro na tradicional. É preciso que todos estejam bem apoiados.

Posição cavalinho: de frente para a mama (Foto: Thinkstock)

CAVALINHO (À CAVALEIRO)
Boa opção para prematuros, pois conseguem mamar com mais eficiência: nesta posição, fica mais fácil para o bebê abocanhar a parte de baixo da aréola, essencial para o sucesso da pega. “No geral, a posição é um pouco mais desconfortável porque a mãe deve segurar a cabeça e o bumbum do bebê durante toda a mamada; ou a cabeça do bebê e a própria mama, no caso de elas serem grandes”, ensina Nídia. “Para quem está com dor ou fissura, geralmente alivia”, completa.

– O bebê fica sentado, apoiado em uma das pernas da mãe, com as perninhas abertas, e de frente para ela.
– A mãe deve sustentar o peso da cabeça do bebê, pois ele ainda não tem estrutura para sustentar sozinho a própria cabeça, que é até maior do que o corpo proporcionalmente.
– O ideal é segurar pela nuca, apoiando nos dedos polegar e médio o ossinho que fica embaixo das orelhas do bebê, fazendo uma resistência de baixo para cima: a ideia é sustentar. “Essa não é uma manobra instintiva, porém é a mais indicada para deixar a pega mais fácil para o bebê”, diz Nídia.
– Se a mama for grande, pode ser necessário sustentá-la também. Nesse caso, convém pedir ajuda, assim a mãe sustenta a cabeça e a mama, ajustando a pega do bebê, enquanto uma terceira pessoa deixa a mão espalmada e levemente pressionada nas costas do bebê, fazendo as vezes de encosto. Dessa forma, o bebê não curva a coluna – pois ele também não a sustenta ainda.

Posição deitada (Foto: Thinkstock)

DEITADA
Durante a madrugada, é uma posição mais confortável para a mãe, que não precisa se levantar. “É uma questão controversa a da cama compartilhada. Esta é uma decisão dos pais. O que se deve avaliar: o tamanho da cama, o conforto de todos e, em primeiro lugar, se há algum risco, como o de o bebê ser coberto pelo lençol, por exemplo”, indica Nídia. O moisés lateral, acoplado à cama ao lado da mulher, é uma boa solução: pode-se amamentar deitada e depois colocar o bebê ao lado. “Amamentar deitada é uma coisa; dormindo, é outra. Recém-nascido se amamenta acordada”, alerta a médica.

– A mãe se deita de lado e o bebê também, de frente para ela.
– É preciso ajustar a cabeça do bebê para fazer a pega correta, levando-o à mama.
– Pode ser totalmente na horizontal, sem medo de otite, garantem as especialistas.

Fonte: Revista Crescer | Por Milene Saddi.

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