Atrasar o primeiro banho do bebê pode favorecer a amamentação

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Segundo um estudo americano, esperar pelo menos 12 horas para dar o primeiro banho pode facilitar a amamentação exclusiva. Veja por quê

Não é novidade que esperar algumas horas para dar o primeiro banho no recém-nascidotraz diversos benefícios para o bebê. Essa, inclusive, é uma das recomendações oficiais da Organização Mundial da Saúde. Segundo estudos anteriores, o vérnix — substância branca e gordurosa que cobre o corpo do bebê no útero da mãe — possui propriedades antimicrobianas que ajudam a proteger a pele e até no desenvolvimento do pulmão.

No entanto, nem todos os hospitais seguem essa orientação. O Cleveland Clinic Hillcrest Hospital, na cidade de Mayfield Heights, em Ohio, Estados Unidos, era um deles. O hospital costumava ter uma política que previa o banho em duas horas após o nascimento. Nos últimos anos, a equipe começou a ver cada vez mais pacientes pedindo para atrasar esse protocolo. Por isso, Heather Condo DiCioccio, especialista em desenvolvimento profissional de enfermagem, decidiu, junto com seus colegas, investigar e descobriu muito mais do que esperava.

Qual é a ligação entre o banho e a amamentação?

O estudo liderado por DiCioccio e publicado no Journal of Obstetric, Gynecologic & Neonatal Nursing, envolveu 996 mães e seus recém-nascidos saudáveis. Cerca de metade (448) seguiu a política anterior do hospital de dar banho nos bebês com cerca de duas horas de vida. O restante (548) atrasou o primeiro banho em pelo menos 12 horas.

Quando os pesquisadores compararam os dois grupos descobriram que as taxas de amamentação exclusiva — sem o uso de fórmula durante o período de internação — subiu de 59,8% para 68,2% no primeiro grupo. “Ficamos felizes por ver isso acontecer”, diz DiCioccio. “Qualquer aumento que possamos obter nas taxas de amamentação será significativo”, completa.

Uma possível explicação é que retardar o banho significa mais tempo ininterrupto de contato pele a pele entre o bebê e a mãe. Com isso, a criança fica mais calma e menos estressada, isto é, pronta para mamar. Outra possibilidade é a de que os recém-nascidos contem com um aroma familiar que os guie até o peito. “Eles estão nadando no líquido amniótico por 38, 39, 40 semanas de vida e o seio da mãe produz um cheiro parecido”, explica a autora do estudo. “Então o pensamento é que talvez os dois cheiros ajudem o bebê a fortalecer o vínculo. Isso torna mais fácil para o bebê encontrar algo confortável, de que ele goste”, diz.

O estudo também descobriu que os recém-nascidos que tomaram banho mais tarde eram mais propensos a ter uma temperatura normal após o banho, em comparação com os bebês mais novos, que estavam com frio e talvez cansados ​​demais para mamar. Ainda segundo a pesquisa, o efeito foi mais forte em mulheres que tiveram parto vaginal — provavelmente porque seus bebês são colocados em seu peito imediatamente em comparação com cesáreas, quando o contato pode demorar até 30 minutos, esclarece DiCioccio. 

No entanto, se a mãe for diagnosticada com HIV, lesões ativas por herpes, hepatite B ou C, a recomendação ainda é dar banho no recém-nascido por volta de duas horas depois do parto. Isso por causa do risco de ser exposto a patógenos sanguíneos. DiCioccio explica que toda clínica tem seu protocolo e, por isso é possível que as gestantes se deparem com certa resistência. Mas ela faz um apelo para que reconsiderem. “Se a mãe está disposta a esperar e quer esperar, deixe-a”, diz ela.

“É importante que você fique com seu bebê, tenha esse vínculo com ele, sem que seja tirado de você imediatamente”, diz Debbie Onwuka, que recentemente deu à luz no hospital. Ela não fez parte do estudo, mas seguiu o protocolo de atrasar o primeiro banho do bebê por mais de 12 horas. “Isso também ajuda a mãe a se acalmar”, finaliza.

Fonte: Revista Crescer

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